“Não vou mais negar minhas artes, nem apagar as pegadas de meus desejos que fugiram do controle. Nada mais faz sentido, joguei nas mãos da sorte, abandonei as teorias, e desisti de por em ordem minha vida embaralhada. Hoje só quero viver em você, por você. Essa bagunça acaba me colocando nas rédeas. Viverei por ti, e se for preciso amarei por nós dois, mesmo que tal caminho custe a morte de meus sonhos.
“Eu a desejava como nunca desejara nada em minha desastrosa e desfigurada vida. Eu sabia que mudaria o rumo das coisas, minhas emoções viveriam sobre a base de um terremoto a cada troca de olhares. Este desejo abalaria minhas estruturas e meus princípios. Iria bagunçar tudo aqui dentro, seria um caos absoluto. Mas… eu, com toda e clara certeza do mundo, sei que seria capaz de sacrificar qualquer uma de minhas vaidades por aquele amor, pois quando a questão é ser feliz, não devemos medir as renuncias, apenas devemos abrir mão do que nos sufoca o riso.
“Não foi amor quando eu te dei flores. Não foi amor quando eu te comprei jóias, nem quando eu te escrevi textos enormes. Não foi também quando eu falei que você tava linda, ou quando te levei pra jantar fora. Foi amor quando te aguentei de tpm, quando escutei calado, você me xingar sem razão, quando usei aquela blusa que você me deu mesmo achando ela ridícula. Foi amor quando eu comi aquele bolo queimado. Foi amor quando eu te deixei ir com outro porque, eu, não era mais o que você queria. Prova de amor não é fazer o fácil, levar pra jantar e dar flores, qualquer um faz. Amor é ficar e aguentar o difícil.